COPPALJ promove formação sobre certificação orgânica

COOPERATIVA DOS • 4 de setembro de 2026

Linha fina: Programação aprofunda conhecimentos sobre normas nacionais e internacionais 

A COPPALJ realizou, entre os dias 1 e 3 de setembro, uma formação voltada à certificação de produtos orgânicos. A atividade reuniu diretores, equipe técnica, integrantes do Sistema de Controle Interno (SCI), produtores e representantes de organizações parceiras, em uma imersão com conteúdos teóricos e atividades práticas.


A formação teve como objetivo atualizar os participantes sobre conceitos, normas e procedimentos relacionados à certificação orgânica, considerando as exigências dos mercados: brasileiro, europeu e norte-americano. Entre os temas trabalhados estiveram o extrativismo sustentável do babaçu, a certificação em grupo de produtores, o processamento de produtos de origem vegetal e os procedimentos de auditoria interna.


A capacitação foi conduzida pela CertiQuality e ministrada pelo engenheiro agrônomo Jefferson Fortes, diretor da empresa e profissional que atuou durante oito anos como auditor de diferentes certificadoras, incluindo em auditorias realizadas na própria COPPALJ. Segundo Jefferson, o treinamento é uma oportunidade para que produtores, equipe técnica e demais envolvidos, compreendam melhor suas responsabilidades dentro do processo de certificação.

“Não é só pagar para ter um certificado, vocês têm que cumprir várias regras nacionais e internacionais”, pontuou.

Durante a formação, um dos focos foi o funcionamento do Sistema de Controle Interno (SCI), abordando as atribuições dos inspetores, da equipe técnica e dos produtores, além dos procedimentos necessários para a preparação para auditorias externas.


Para Thays Lanna, inspetora interna e técnica de campo da COPPALJ, a capacitação é também uma forma de acompanhar as constantes atualizações das normas de certificação. A cooperativa possui certificação orgânica e comercializa seus produtos em três mercados, o que exige atenção às especificidades de cada legislação.  “A certificação orgânica se atualiza a cada ano. A cada instante surge uma norma nova. A gente acessa três mercados: Estados Unidos, Brasil e Europa”, destacou Lanna.


A programação também aproxima os conteúdos normativos da realidade da cooperativa. No primeiro dia, foram trabalhados conceitos e aspectos relacionados ao extrativismo. No segundo, os participantes deram continuidade ao tema e aprofundaram os conhecimentos sobre a certificação em grupo de produtores. Já no terceiro dia, as atividades tiveram como foco o processamento de produtos de origem vegetal, incluindo exercícios práticos relacionados aos procedimentos de higiene.

Para o diretor da COPPALJ e produtor orgânico, Francisco Tomé da Silva, a formação contribuiu para fortalecer o conhecimento daqueles que trabalham diretamente com a produção orgânica. “É importante que a gente tenha uma formação para estar cada vez mais inteirado de como funciona o sistema orgânico”.



Além de contribuir para a manutenção da certificação, a iniciativa fortalece os processos internos da COPPALJ e amplia o conhecimento dos produtores e da equipe sobre as exigências que envolvem a produção orgânica, desde o campo até o processamento dos produtos.




Por COOPERATIVA DOS 1 de setembro de 2026
Na terça-feira (25), o povoado Ludovico, em Lago do Junco (MA), vivenciou um momento importante para a Associação de Mulheres Trabalhadoras Rurais (AMTR), COPPALJ e organizações parceiras, como a ASSEMA. A comunidade recebeu a ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, a ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, Silvio Porto, presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), e o superintendente do Incra no Maranhão, Levi Pinho. A visita possibilitou uma aproximação com o manejo sustentável do coco babaçu e destacou a importância das políticas públicas na vida das quebradeiras de coco. Um dos pontos de visita da caravana governamental foi a cantina da COPPALJ, em Ludovico, com recepção e uma breve explanação da sócia Sebastiana Gomes (Dona Sibá) e do cantineiro Sergio Costa. Eles destacaram como esses espaços fortalecem a economia das comunidades e contribuem para a conservação dos territórios. À primeira vista, uma cantina pode parecer um pequeno comércio no meio de uma comunidade. Prateleiras com alimentos, produtos de limpeza, ferramentas e outros itens fazem parte da rotina de quem vive nesses territórios. Mas, por trás desse espaço, existe uma história de resistência, organização comunitária, preservação ambiental e busca por autonomia econômica. Foi essa realidade que as ministras conheceram durante a visita ao povoado Ludovico, em Lago do Junco (MA). A passagem pela cantina permitiu conhecer de perto uma experiência construída pelas próprias comunidades e que tem o babaçu como elemento central de uma economia baseada no uso sustentável da biodiversidade. O que são as cantinas? As cantinas são estruturas comerciais instaladas dentro das comunidades extrativistas da cadeia do babaçu no Maranhão. Criadas por iniciativa da COPPALJ, elas permitem que as quebradeiras de coco e demais produtores comercializem diretamente as amêndoas de babaçu ou façam a troca por produtos de consumo. A proximidade é uma das características fundamentais desse modelo. Em vez de percorrer longas distâncias para comercializar sua produção ou comprar produtos básicos, as famílias encontram na própria comunidade um espaço de comércio e de apoio. Mas a função das cantinas vai muito além da venda de mercadorias. Elas são também espaços de diálogo, organização, formação, acompanhamento da produção e fortalecimento das relações entre a cooperativa e as comunidades. Como são administradas por associados e seus familiares, existe ainda uma dimensão de proximidade e pertencimento que diferencia essas estruturas de um comércio convencional. Uma história que começou com resistência Para compreender a importância das cantinas, é preciso olhar para a história das comunidades do Médio Mearim. Durante décadas, famílias que viviam do extrativismo e da agricultura enfrentaram dificuldades para acessar os babaçuais e comercializar sua produção. Donos de terras e atravessadores exerciam forte influência sobre a economia local. As relações de troca eram marcadas por grande desigualdade. Há registros de situações em que 10 quilos de amêndoas de babaçu eram trocados por apenas um quilo de arroz ou de café . A reação das comunidades deu origem a um amplo processo de organização social, com participação decisiva das mulheres quebradeiras de coco babaçu. A criação da AMTR, da ASSEMA e, posteriormente, da COPPALJ fez parte desse processo de construção de alternativas para garantir acesso aos babaçuais, organizar a produção e criar mecanismos próprios de comercialização. Em 1989, a COPPALJ foi fundada com o objetivo de organizar a produção das famílias e estimular a autonomia econômica dos associados. No mesmo ano, foram instaladas as primeiras cantinas em oito povoados. Desde então, elas passaram por diferentes momentos, incluindo dificuldades administrativas, redução do número de unidades e, posteriormente, um processo de reorganização, formação e expansão. Onde conservação e economia se encontram O babaçu é parte fundamental da vida das comunidades. Da palmeira são aproveitadas diferentes partes e, entre seus principais produtos, está o óleo extraído das amêndoas. A atividade extrativista também está associada à manutenção dos babaçuais e à permanência das famílias em seus territórios. Nesse contexto, a geração de renda e a conservação ambiental caminham juntas. Valorizar economicamente o babaçu cria condições para que as comunidades continuem encontrando nele uma fonte de sustento. Ao mesmo tempo, o uso sustentável dos recursos naturais contribui para a conservação das áreas de babaçuais. É uma lógica que coloca a biodiversidade como parte da economia local, sem separar a proteção ambiental das necessidades de quem vive no território. O trabalho das quebradeiras No centro dessa história estão as mulheres quebradeiras de coco babaçu. A coleta pode ser realizada por pessoas associadas ou não à cooperativa. Depois da coleta, as amêndoas são retiradas do coco, tradicionalmente com ferramentas como o machado e a foice. Atualmente, a quebra costuma ser realizada nos próprios quintais das famílias, o que proporciona maior autonomia e aproveitamento do babaçu. Depois de reunidas, as amêndoas são levadas às cantinas, onde são comercializadas diretamente. As quebradeiras podem receber o pagamento em dinheiro ou trocar o valor correspondente por produtos disponíveis na própria cantina. Uma economia que permanece na comunidade As cantinas também desempenham um papel importante no abastecimento das comunidades. Os estabelecimentos podem oferecer uma grande variedade de produtos, incluindo alimentos, itens de limpeza, material escolar, ferramentas, sementes, insumos agrícolas, equipamentos de segurança e materiais de construção. Isso significa que a cantina não atua apenas na compra das amêndoas. Ela também oferece às famílias alternativas para adquirir produtos necessários para o cotidiano e para o trabalho. Os resultados dessa dinâmica podem ser percebidos na própria transformação das comunidades. A renda obtida com o extrativismo e com a cadeia produtiva do babaçu contribui para melhorar as condições de vida das famílias, permitindo investimentos em moradia, equipamentos e outros bens. Da amêndoa ao óleo de babaçu Depois de recebidas nas cantinas, as amêndoas são coletadas pela cooperativa e levadas para a agroindústria da COPPALJ, em Lago do Junco. Ali, passam pelo processo de beneficiamento que dá origem ao óleo de babaçu filtrado, destinado à indústria cosmética, e ao óleo refinado, destinado à alimentação. Os produtos também chegam a organizações parceiras, que utilizam o óleo na produção de itens como sabão e sabonete de babaçu. O processo de prensagem gera ainda a torta de babaçu, utilizada como ração animal. Assim, o aproveitamento do babaçu se multiplica e cria oportunidades em diferentes etapas da atividade produtiva. Juventude e novas formas de fazer A experiência das cantinas também vem sendo renovada pelas novas gerações. Jovens das comunidades passaram a ocupar espaços na gestão das cantinas e em atividades relacionadas ao beneficiamento do babaçu. A formação técnica e político-social tem sido parte desse processo. A modernização trouxe novos recursos para a gestão, como sistemas eletrônicos de controle de caixa e depósito, pagamentos por PIX e cartão e ferramentas voltadas à rastreabilidade. Ao mesmo tempo, permanece o desafio de garantir que os jovens encontrem oportunidades de formação e trabalho suficientes para permanecerem no campo e continuarem participando da construção desse modelo. Uma tecnologia social construída pelas comunidades A experiência das cantinas mostra que inovação não significa necessariamente abandonar a tradição. Ao longo de sua história, as comunidades desenvolveram uma forma própria de organizar a comercialização do babaçu, fortalecer a renda das famílias e aproximar a atividade econômica da conservação ambiental. Hoje, tradição e novas tecnologias convivem nesses espaços. O caderno de anotações deu lugar, em parte das atividades, a sistemas digitais. O comércio local passou a incorporar PIX e cartão. Os jovens assumiram novas responsabilidades. E a cadeia produtiva ganhou mercados cada vez mais amplos. Mas o princípio permanece: fortalecer a autonomia das comunidades e valorizar o babaçu como fonte de vida, trabalho e conservação. Muito mais do que uma loja As cantinas nasceram de uma necessidade concreta: criar uma alternativa à exploração e garantir às famílias melhores condições para comercializar aquilo que produzem. Com o passar dos anos, tornaram-se parte da organização econômica e social das comunidades. Elas ajudam a gerar renda, facilitam o acesso a produtos, fortalecem o trabalho das quebradeiras, estimulam a conservação dos babaçuais e aproximam diferentes gerações da organização cooperativa. Por isso, a visita das ministras a uma cantina representa mais do que conhecer um estabelecimento comercial. É conhecer uma experiência construída ao longo de décadas por mulheres, famílias e comunidades que transformaram a valorização do babaçu em uma estratégia de autonomia, geração de renda e defesa do território . Uma cantina pode parecer pequena. Mas carrega uma grande história.
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